A chuva já não é mais como costumava ser. Na verdade, ela é sim. Continua completamente igual, e é isso que me incomoda. Ela ainda traz aquele vento que faz as árvores sussurrarem teu nome, ainda traz o cheiro que a muito imagino como sendo o seu, ainda me faz querer ter alguém pra abraçar durante a noite (e quem me dera pudesse ser um “alguém” qualquer). Ela ainda vem quando estou prestes a dormir, vem trazendo você de arrasto. Vem me fazendo preferir não lembrar de nada, nem mesmo do teu nome. Mas eu ainda lembro, eu ainda penso, e o que é pior, eu ainda sinto. Sinto falta das nossas conversas, nossas brincadeiras, até mesmo das nossas discussões bestas pra ver “quem ama mais”. Pois é, pelo jeito era eu mesmo. E, acima de tudo, sinto falta de você. sua voz, eu já esqueci faz tempo. Não que eu queria lembrar dela —podem me chamar de muita coisa, menos de masoquista— mas eu preferia não ter esquecido, só pra poder dizer que eu “lembrei por acidente”. Eu não queria estar nessa situação, não mesmo. Mas sei lá, só queria que você soubesse que eu vou continuar esperando, mesmo depois de todas as luzes se apagarem, eu ainda estarei aqui. Não por você, eu vou fazer isso por “nós”, ou o que restou disso.